domingo, 27 de julho de 2008

Fabricando Tom Zé em DVD

Quando Fabricando Tom Zé, documentário de Décio Mattos Jr., ficou em cartaz em São Paulo, não consegui ir ao cinema ver. Esta semana saiu o DVD e comprei na hora. São 90 minutos que passam como 15, mostrando, através da cobertura da turnê de Tom Zé na Europa em 2005, seu processo criativo e mum pouco da sua história.
Imperdíveis os depoimentos da esposa Neusa, empresária e fiel escudeira do cara. A memorável discussão com o técnico de som do Festival de Montreux é um dos grandes momentos do filme. Entre outros entrevistados, o jornalista Tarik de Souza, Kid Vinil, David Byrne e os músicos da banda de Tom Zé. Gil vomita um discurso pronto e integrado, enquanto Caetano faz um mea culpa fake em relação ao ostracismo em que Tom Zé caiu nos anos 80.
Nos extras do DVD, um making off do filme e depoimento do diretor Mattos Jr. sobre como surgiu a idéia do documentário.
Se você só ouviu falar por alto no trabalho de Tom Zé, ou acha ele esquisito ou coisa que o valha, eis boa oportunidade para conhecê-lo melhor. Sem medo de errar, afirmo que Tom Zé é um dos artistas mais geniais de todos os tempos, no Brasil e no mundo, além do fato de ser o único cara que fala de si mesmo na terceira pessoa e não soa pernóstico.
Tom Zé transcende o rótulo Tropicalista e, aos 70 anos, com certeza ainda tem muito para oferecer à nossa música. Resgatemo-no sempre, como um dia fez Byrne.

Sabedoria Milenar

Apressado, desço do ônibus na 9 de Julho completamente congestionada e tomo um táxi na ruazinha transversal.

- Boa noite!
- Boa noite, tudo bem? Será que conseguimos chegar à Av. Paulista nuns 20 minutos, indo aqui por dentro?
- Conseguimos sim. São-paulino, palmeirense, corinthiano ou santista?

A pergunta constrange imediatamente. Apesar de não ter problema em afirmar que não acompanho futebol, não torço para time algum, temo decepcionar esse senhor que só está tentando ser educado.

- Não torço para clube nenhum. Quando paro para acompanhar, assisto independente de quem estiver jogando.

- Gosta do futebol então, torce pra quem estiver jogando?

- Isso... Apesar de minha mãe ser corinthiana e meu pai santista, - afirmo tão convicto da preferência futebolística do meu pai quanto ele da escalação atual do peixe. Esse é um folclore que se estabeleceu pelo fato dele ter trabalhado em Cubatão, perto de Santos, quando veio de Minas para morar em São Paulo. Gosta tanto do Santos quanto eu de filmes de terror.

- Legal. Eu gosto de esporte. Cê viu o pessoal do vôlei?
- Não.

Após um inventário completo do jogo da seleção brasileira de vôlei masculino disputando não sei o que com não sei que país, o condutor defende que as meninas do vôlei brasileiro também são boas, mas às vezes amarelam. E voltamos ao futebol. Comento estar decepcionado com a violência nos arredores dos estádios.

- É, rapaz, isso na minha época não era assim não.
- Desanima...
- Com certeza, a cartolagem e a própria forma do jogador encarar a carreira são transmitidas ao torcedor. O cara entra no time pra jogar, assina um contrato e recebe 10% do valor total. O contrato é de 1 ano e ele joga 6 meses, quando um clube europeu leva o cara embora, paga em euro... desse jeito o torcedor perde aquela vontade de torcer de verdade... o ato de torcer passa a ser só vasão de coisa negativa.

Puxa, pensei, esse cara entende do negócio. Vale continuar o papo. Não é daqueles chatos que só fala do trânsito e da previsão do tempo.

- Se eu pudesse trabalhava com esporte.
- Já levou algum atleta?
- Difícil, eles tem transporte próprio. Mas dia desses peguei um deles às 3 da madrugada na esquina da Major Sertório com a Cesário Mota Jr.. Preciso falar mais alguma coisa?
- Não. Que coisa, heim?
- Pois é, a moda do Ronaldo parece que pegou. Precisamos chegar onde na Paulista?
- Na Gazeta, tenho que entregar uns trabalhos da faculdade.
- Estuda o que?
- Faço uma pós-graduação em Jornalismo.
- Beleza.
- Estou no final do curso.
- E acabando aí vai fazer o que?
- Descansar um pouco. Tô escrevendo um livro, tenho um filho pequeno...
- Falta só plantar uma árvore então.
- E o sr., tem filhos?
- Meia dúzia.
- Então tô falando com um especialista!
- Nesse assunto sim.

Desço na esquina da Campinas com a Paulista, a tempo para entregar o trabalho.
Pago-lhe a corrida, agradeço, em meio a votos mútuos de sucesso e saúde. Bom encontrar
gente bacana, feliz com o que faz, de bem com a vida e inteligente.
Esqueci de perguntar-lhe o nome.
Mais um sábio anônimo na gigantesca São Paulo que tanto amo.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Com a palavra, o mestre Neil Young!

24.07.08 - Estadão Online
Por Renato Cruz

"Neil Young critica Apple

O cantor Neil Young criticou ontem (23/7) a qualidade da música digital em MP3 e culpou o iPod e o iTunes da Apple por isso, durante a Brainstorm Tech Conference, organizado pela revista Fortune, nos Estados Unidos.
Segundo ele, a qualidade do som caiu ao nível de 'brinquedo da Fischer-Price'. Young lamentou que as empresas de tecnologia têm dado ênfase excessiva à conveniência, com a facilidade crescente de se levar a música para qualquer lugar, em detrimento da qualidade: 'Temos computadores lindos hoje, mas a música de alta resolução é uma das coisas que fazem falta'."