Finalizando, muito provável que este seja o último post do ano, porque eu estou com uma baita preguiça, coisa normal que nos ocorre no final do ano!
Feliz 2009 a todos!!!
música, cinema, livros, crônicas e atualidades
Estréia em 06/02/09 nos E.U.A. Fanboys, que traz no mínimo alguns bons motivos para levar os fãs de cultura pop aos cinemas (tomara que não demore a chegar aqui!). O filme, bem no clima Sessão da Tarde, conta a história de 4 jovens que planejam invadir o Rancho Skywalker, a meca da criação da saga Star Wars. Além, é claro, do próprio tema ser engraçadíssimo, já que o rancho é intransponível para pessoas comuns como nós, a profusão de referências, não só a SW mas a outros filmes de ficção científica, garante a alegria dos nerds. Outra película bem parecida é Detroit Rock City, em que também 4 garotos vivem uma verdadeira aventura para chegar a um show do Kiss. O ator Sam Huntington, inclusive, está nos dois filmes. Duas ótimas pedidas para os já citados nerds, para os fãs de comédias pastelão e dos filmes de Kevin Smith (que inclusive está no elenco de Fanboys). Se você compreendeu pouco ou nada do que eu acabo de escrever, veja se o trailer aí embaixo esclarece alguma coisa. Se não, ainda há tempo para um intensivão geek!!!


Encontrei na biblioteca de meus pais o livro Os Antipáticos, velho volume de entrevistas que a jornalista italiana Oriana Fallaci captou para o semanário l'Europeo na década de 60. Se você não conhece Oriana Fallaci, pense no velho chavão de alguém que perde um amigo mas não perde a piada, e transporte-o para o ofício jornalístico. Ela não tinha pudor nenhum em perguntar o que desejasse, a despeito da reação que pudesse causar no entrevistado. E quando estava cara a cara com uma pessoa inteligente surgiram alguns perfis e entevistas realmente brilhantes.
Acabo de ler Casei com um Comunista, encerrando assim a leitura do que se convencionou chamar de trilogia de Philip Roth sobre a vida na América do pós-guerra. Assim como Pastoral Americana e A Marca Humana, estão ali todos os elementos que fazem de Roth esse observador tão especial do que são hoje os E.U.A.. Penso inclusive que classificar essas obras como uma trilogia sobre a vida na América pós-Segunda Guerra é reduzir sua importância. Por mais que as histórias se passem após o período especificado, estão presentes, nos três livros, os elementos formadores da sociedade Americana que se prepara hoje para eleger mais um presidente. Quando leio Roth costumo lembrar do que Will Eisner desenvolveu, na forma de HQs, com sua Avenida Dropsie, que aliás é outra referência para entendermos o país. Todas as etnias, acontecimentos, misérias e vitórias que fundamentaram o orgulho americano, o preconceito racial e tantos outros aspectos marcantes dessa sociedade estão tanto em Roth quanto em Eisner.
Em Casei com um Comunista conhecemos Ira Ringold, menino pobre de infância difícil que ao longo da vida foi de trabalhador braçal a ator de radionovelas, passando é claro pela comunismo, elemento que norteia a trama. Sempre dividido entre a causa revolucionária e os prazeres da vida burguesa, Ira vive a vida sempre no limite, violento, resoluto, e exposto a todas as conseqüências dessa forma de conduzir as coisas. Sabemos de sua história pelo irmão Murray Ringold, que conta a Nathan Zuckerman, recorrente narrador dos romances de Roth, as partes da história de Ira que este não conhecia. Zuckerman fora um amigo e discípulo de Ira na iniciação à causa revolucionária e em sua formação geral na passagem da adolescência à idade adulta. No tempo presente do romance, Murray está com 90 anos e Zuckerman com 65. As múltiplas linhas narrativas mostram Ira, Zuckerman e Murray em idades e situações distintas. Roth é brilhante nesse entrelaçamento de tempos narrativos, não havendo risco de incoerência e confusão na cabeça do leitor.
Iniciei minhas leituras de Roth com Pastoral Americana, que narra a história da família Levov. Seymour, atleta popular quando jovem, mantém uma vida digna, com sua fábrica de luvas, provendo à família tudo o que acredita ser o melhor. Sua esposa fora Miss América em 1949, e a união do casal é símbolo de alguns aspectos fundamentais na formação do país: Seyumour é judeu e a esposa católica, fora isso a união do atleta com a miss, em termos de imagem era o que de mais estimulante se poderia almejar na América do pós-guerra. Motivados a criar uma família ancorada nas virtudes das duas crenças, o casal-modelo se vê transtornado quando a filha Merry se envolve em manifestações contra a Guerra do Vietnã, e a família se corrói por dentro daí em diante., por conta de uma sucessão de fatos que só lendo mesmo para compreender sua intensidade. Nesse aspecto, vale lembrar que em Casei com um Comunista Roth também recorre a uma figura de filha que abala as estruturas familiares. Sylphid, filha de Eve Frame, atriz de cinema com quem Ira Ringold se casa em certa altura da história, é a concretização da frustração, tanto de si mesma quanto da mãe e de todos que com elas convivem. Merry Levov também é um elemento decepcionante. Filhas que viram engodo e chegam a ser indesejadas na busca de seus pais pelo American Way of Life.
Assim como Pastoral Americana e Casei com um Comunista, A Marca Humana também nos é contado por Nathan Zucherman, que se aproxima do protagonista Coleman Silk aos 70 anos de idade e no ápice da derrocada moral deste. Silk fora professor de Letras Clássicas na Faculdade Athena por mais de vinte anos e, por causa de uma piada considerada racista que direcionara a dois alunos que nunca compareciam às suas aulas, é afastado da cadeira na faculdade. Para agravar a situação, há o seu envolvimento com Faunia Farley, faxineira da faculdade, de apenas 35 anos. O macrocosmo da vida real aqui é o escândalo Clinton-Lewinski, que acabara de acontecer nos E.U.A.. Roth escolhe esse momento histórico para criar uma trama em que a todo momento Coleman Silk olha para a Casa Branca para pensar na sua própria tragédia.
Morreu ontem aos 65 anos Rick Wright, tecladista e um dos fundadores do Pink Floyd. Na matéria do Estado de São Paulo do link abaixo, David Gilmour afirma que a contribuição de Wright foi subavaliada. Agora é tarde Sr. Gilmour. Devia ter pensado nisso enquanto se atracava com o Sr. Waters na batalha de egos que acabou com a banda.

Eis mais uma iniciativa de rádio/podcast bem bacana. A empreitada é do multi-homem Marcelo Calenda e seu amigo Alexandre Deruiz, o Zé!!!! Por enquanto a Rádio Gagá teve dois programas: Original ou Cover? e Versões Estapafúrdias. São sempre 30 minutos de duração, 5 músicas no total e muitas curiosidades, coisas que um grande apreciador de música nunca dispensa. Os caras também tiveram todo o cuidado na inserção de vinhetas para abrilhantar as piadas infames que volta e meia soltam, como a da Dra. Cássia, no primeiro programa. O portal para acesso aos programas também está caprichado, o mínimo a se esperar vindo do Marcelo Calenda.
Melhor definição não há para a HQ Maus, de Art Spiegelman: genial porque simples.
Há oito anos a Companhia das Letras lançou a coleção Literatura ou Morte, com a proposta de que escritores contemporâneos criassem histórias policiais nas quais autores consagrados fossem personagens. No ano seguinte ganhei de presente Borges e os orangotangos eternos, é claro que não por acaso, mas por indicação minha mesmo. Como começara a ler Borges e estava fascinado, o livro, escrito por Luis Fernando Veríssimo, me pareceu muito interessante. Mas só esta semana resolvi lê-lo. Na época achava que conhecia pouco a obra de Borges para entender outro texto amparado nela. Mesmo sabendo que ainda não li tudo que desejo de Borges (ou seja, tudo!), a leitura foi tranqüila.
Ontem eu, Erico Nuñez e Fernanda Baggio visitamos o ilustríssimo casal Calenda com o pretexto de estrearmos seu novo toca discos. Ouvimos sim muitos vinis, mas muitos cds também, batemos muito papo e tomamos cerveja.
New Sound (1959). Comentei com a Ana Luiza que esse disco tem uma das melhores versões que já ouvi de Round Midnight, o clássico do Sr. Thelonious Monk. Ela então perguntou se eu conhecia uma versão com a Maysa, e pegou o cd para ouvirmos. O cd, Canção do Amor Mais Triste (1962), sempre esteve debaixo do meu nariz lá na livraria mas nunca dei atenção. Trata-se de um relançamento da Som Livre, pela Coleção Som Livre Masters, e custa míseros R$ 10,90. A interpretação de Maysa é incrível, e já entrou para a lista das minhas prediletas, junto é claro com a de Montgomery, a do quinteto de Miles Davis no
álbum 'Round About Midnight (1956) (a entrada de John Coltrane na segunda parte é de derrubar qualquer um da cadeira!) e, é claro, as do próprio Monk, como a última faixa do disco Monk's Blues (1968).
Difícil acreditar, mas enfim consegui esse disco! Mudhoney e amigos tocando The Sonics!!!!
Presenteio-lhes com essa foto-montagem mais que tosca, que não deve em momento algum ser confundida com blasfêmia. A semana que passou foi difícil e, não fosse o bom e velho Sonic Youth teria sido bem mais. Não que eu seja um profundo conhecedor de conhaques, mas fiz a analogia alcoólico-musical mais por conta das sensacionais vinhetas e propagandas do conhaque Dreher nos anos 80.
Ontem fui ao C.B. assistir a um show do Júpiter Maçã. Já faz uns dez anos que vi bons shows dele, tanto em divulgação do álbum A Sétima Efervescência quanto do Plastic Soda. Seu último disco, Uma Tarde na Fruteira, eu não tinha ouvido ainda, então realmente não sabia muito o que esperar.
Me perguntei esses dias se estou ficando velho, porque ando ouvindo muito mais música brasileira do que rock (a não ser muito Sonic Youth, é claro!), o que reflete minhas últimas aquisições fonográficas e o presente que comprei para o meu pai ontem.
Vamos agora de Esperanza Spalding. Há algum tempo falei aqui no blog do pianista Leo Genovese, que acompanha a cantora e contrabaixista no disco Esperanza, lançado este ano. Acabei comprando o CD porque me chamou muito a atenção só de ouvir lá na loja, o que não permite uma audição tão atenta, visto que estou lá pra trabalhar e não ouvir música. Enfim, o disco é impressionante, em primeiro lugar porque ela toca muito bem, e a equalização e a sonoridade do baixo são especiais, o que qualquer um que já tocou baixo preza, e muito, em qualquer gravação. Esperanza é uma cantora no mínimo diferente, com um timbre que não encanta à primeira ouvida mas com uma capacidade de florear e fundir seus solos de contrabaixo ao sketch singing que é só precisão e beleza. Comentei também no post sobre o pianista Genovese que o clima do álbum de Esperanza me lembrara uma fase de Mccoy Tyner, digamos, mais espiritual e voltada para as raízes da África, principalmente com os álbuns Extensions e Asante, ambos de 1970. Acredito mesmo que o lançamento nacional do álbum de Esperanza e sua vinda ao Tim Festival se devem, é óbvio, ao potencial comercial que a Universal Music viu no repertório de uma estrangeira que gravou dois clássicos da MPB (Ponta de Areia e Samba em Prelúdio, ambas cantadas em português no CD), mas o disco é muito mais que isso. As sonoridades, no geral, também remetem à melhor música feita no Brasil e às raízes africanas do jazz, o disco só tem músicos bons, gravação impecável e umas quebradeiras da pesada!