segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Dylan no Brasil: infelizmente estou fora!


A chamada do Estado de São Paulo do último domingo a respeito de Bob Dylan é a seguinte: "Testemunho da Contracultura". A matéria do Jotabê Medeiros até que é bacana, um perfil chamando para as biografias e DVDs do cantor lançados no Brasil, e de sua relação com a literatura e escritores. No entanto, a tal chamada de capa supracitada, que a gente sabe muito bem que não é o autor da matéria quem escolhe, me fez refletir: o que a contracultura tem a ver com ingressos entre R$ 250,00 e 900,00. Como se não bastasse, clientes Mastercard terão 7 dias de exclusividade antes da venda ser aberta ao público geral. Em muitas situações de vinda de artistas estrangeiros ao Brasil fico me perguntando qual o controle destes sobre o valor do ingresso. Como fazia o Fugazi por exemplo. Mas aí já é querer demais, porque o Fugazi é ímpar, poisitivamente falando, nesse quesito. De qualquer maneira, estou fora deste que deve ser o último show de Dylan no Brasil, tenho outras prioridades no momento, sinceramente. Fica registrado o desabafo, com uma foto do cantor bem jovem, quando certamente pouco ligava para o valor dos ingressos de seus concertos.

domingo, 27 de janeiro de 2008

São Paulo: 454 anos





A cidade cresce em proporções absurdas e dificilmente vemos alternativas a esse crescimento. Quem pode se esconde nos condomínios fechados, quem fica à margem dorme onde der. Em pesquisa divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo no dia 25/01, cerca de 60% dos paulistanos não consideram a cidade segura para morar. A despeito de tudo isso, continuo fascinado com esta cidade onde nasci e de onde dificilmente sairei para morar em outro lugar. Um lugar de convergência, para onde tanta gente vem em busca de resposta. É certo que muitos dos que chegam não são atendidos em suas buscas, como o pedreiro Benedito do Pagode, que sacou uma faca no meio da Missa do aniversário da cidade na Catedral da Sé. Ele interrompeu a celebração bradando algo que os jornais, é claro, não relataram. O importante para a imprensa foi o fato em si, mas não as motivações que levaram o cidadão a se manifestar. Mas esse não é um fenômeno exclusivo dos nossos dias. Em suas duas horas de vida ficcional, o personagem Carlos (Walmor Chagas), protagonista de SÃO PAULO SOCIEDADE ANÔNIMA,
não encontra sua resposta na cidade. O diretor Luiz Sérgio Person retratou no seu tempo o dilema que também é o de hoje. Da cidade que cresce desenfreadamente e ignora as aspirações dos seus habitantes. O recorte poderia não ser o da expansão da indústria automobilística, mas qualquer outro ligado ao crescimento da metrópole. A angústia do personagem estaria ali, porque é este o aspecto primordial que Person quis descortinar. Afora isso, o filme ainda carrega o pioneirismo perverso de casar o cinema e a publicidade, dois aspectos que hoje infelizmente não conseguimos ver separados.
Minha esperança e satisfação por viver em São Paulo são alimentados, no entanto, pelas histórias dos que aqui nasceram ou chegaram e são felizes.
Tom Zé, genial, ama e canta cidade sem se esquecer da sua Irará. Entre habitantes que se "agridem cortesmente", suas desilusões amorosas com a Augusta, a Angélica e a Consolação, e até como mediador do duelo entre o Ed. Itália e o Hotel Hilton, Tom Zé já passou dos 70 anos e parece um garoto no palco, com certeza por conta dessa osmose que realiza com a cidade há tantos anos.
Enfim, a idéia aqui era homenagear a cidade mas acabei transformando tudo num emaranhado de referências, sobretudo ficcionais, sobre São Paulo. De qualquer forma, missão cumprida, já que minha relação com a cidade fundamenta-se não só na minha relação com ela mas na produção artística que a retrata.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Bruno Oliveira

As gravuras abaixo são do meu irmão, Bruno Oliveira. Quando criança, na sala de aula, distraía-se ao vôo da primeira mosca que zumbisse à sua frente e deixava de prestar atenção na professora. Mamãe ficava preocupada, e deu no que deu. Seus trabalhos são de extrema sensibilidade, e ele transita entre vários referenciais estéticos porque faz questão não só de fazer como de estudar arte. Esta série que vocês estão vendo está na minha casa, na parede do meu escritório. Me remete tanto a repentistas do nordeste do Brasil quanto aos bluesmen do sul dos E.U.A., que afinal, cada um em sua terra, são os homens simples e rústicos que carregam em suas vivências marcas profundas das histórias de seus países, e as transformam em pura música.

Visitem o portfolio completo do Bruno! www.flickr.com/photos/oitoart